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Pesquisadores debatem avanço tech que pode criar uma IA luso-hispânica

O debate os rumos da chamada Inteligência Artificial (IA) ganha corpo também no mundo acadêmico. O tema já faz parte do mundo produtivo há algum tempo, mas nos últimos meses, com a chegada da baleiazinha azul Deepseek, o assunto tomou proporções planetárias. A simpática bichina chinesa, criada num centro de pesquisas de uma empresa que nem parecia oferecer tanto risco ao poderoso sistema americano, derrubou ações em bolsa de valores e provocou um baque no Vale do Silício, fatos amplamente divulgados. Esse impacto despertou o mundo que não fala a língua inglesa para o fantasma da dominação pelos algoritmos e seus gigantes alimentadores.


Na semana passada, pesquisadores da paulista Unesp, em parceria com a colombiana Universidad La Sabana (Unisabana) e representantes da espanhola Universidad de Santiago de Compostela, fizeram o "1er Simposio sobre Inteligencia Artificial y Comunicaciones". O ponto de partida ali era o impacto direto da IA nas práticas de jornalismo, onde já existe até a atuação híbrida com algoritmos e humanos dividindo produção, apuração, edição e acabamento de conteúdos. Isso está mudando a vida nas redações, mostram estudos apresentados no Simpósio. O alerta é para o risco crescente de homogeinização e controle de dados e de informação, fato que é agravado pela perda da "tutoria humana crítica"dos conteúdos.


Os dados apresentados no encontro são alarmantes quando se observa o impacto da IA no mundo das comunicações, principalmente na imprensa escrita, a vítima mais imediata neste momento da evolução da IA. Mas esse quadro de inovação também causa alterações nas redações e programação de televisão. O pesquisador de Santiago de Compostela apresentou dados sobre esse universo televisivo sul-americano. E a preocupação destes acadêmicos vai ainda muito além.


De acordo com palestrantes reunidos na discussão, transmitida pela web, a coisa pode escalar para um ameaçador quadro de controle do poder com severos riscos para a democracia nos países latino-americanos. Temos uma região rica em dados, mas pobre em soberania, ressaltaram palestrantes.


No debate bilíngue (português/espanhol), com "pantalla compartida", ouviu-se relatos com destaque para uma falta de infraestrutura de armazenamento de dados da América Latina. Esse debate, da busca da soberania digital, pode levar a uma inteligência artificial luso-espanhola, marcada pela gestão regional de uma rede de informações e dados, espécie de IA pirarucu, ou llama, ou sumaúma, ou coisa do tipo (fica a sugestão), já que estamos em tempos de preocupações com a sustentabilidade da Amazônia brasileira, andina e caribenha.


A região já conta com uma iniciativa de oferta de dados regionais chamada LatamGPT, bancada desde o Chile por um sistema de universidades, bibliotecas, organizações civis e governos do Chile, Brasil, México e Colômbia. Mas o LatamGPT ainda não está pronto e não lançou APP para download. O projeto pode ser localizado no site do Centro Nacional de Inteligencia Artificial (CenIA) no endereço cenia.cl, uma instituição que está com estágio avançado de desenvolvimento para oferta de dados.


De acordo com o debate do Simpósio Unesp/La Sabana, é urgente que se trabalhe por essa soberania digital sul-americana. Do contrário, a dominação dos grandes conglomerados norte-americanos seguirá avançando para além das IA de busca e seus conteúdos homogeinizados e invadirá espaços humanos relevantes para a convivência das nações da América Latina. Não se trata, portanto, de combater a existência de IA, mas de saber usá-la em benefício de um ambiente regional com características singulares.


Os detalhes de todas essas preocupações, inclusive sobre regras de governança e regulacão, podem ser encontradas na íntegra na página do Laboratório de Estudos em Comunicação, Tecnologia, Educação e Criatividade (Lecotec), da Unesp, no YouTube.



 
 
 

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