Netflix mostra o Edifício Master, no Rio, comovente documentário de Eduardo Coutinho
- Pablo Pereira
- 29 de jun. de 2025
- 1 min de leitura
O documentário Edifício Master, do cineasta Eduardo Coutinho, lançado em 2002, entrou em cartaz na Netflix. É um tocante trabalho cinematográfico sobre a solidão. Coutinho filmou depoimentos de personagens reais do cotidiano do prédio de Copacabana, o glamouroso bairro que é cartão-postal do Rio. Lá, moraram centenas de famílias, divorciados, solteirões, garotas de programa, casais de idosos, jovens artistas, estudantes, imigrantes e poetas enrustidos, todos atraídos pelo baixo custo da moradia na Rua Domingos Ferreira, 125, raro endereço de aluguel barato, com privilegiada localização, na metrópole mais icônica do País.
Tragicamente, Coutinho morreu alguns anos depois, em 2014, vítima de uma terrível ocorrência familiar. Foi assassinado dentro de casa pelo próprio filho. Reportagens da época, no O Globo, por exemplo, contaram que o filho sofria de um distúrbio mental e confessou ter, durante uma crise, esfaqueado o pai. Um fato real, horrível, com jeito da mais dramática ficção de Nelson Rodrigues.
O filme Edifício Master, a mim recomendado pela amiga Keila Souza, produtora de cinema, contém ricos perfis pessoais e oferece um comovente painel do impacto do abandono naqueles habitantes, suas angústias, desejos, sonhos, frustrações, preconceito, tentativas de suicídios e de sobrevivência no perto-longe do encanto turístico da praia carioca. Aquela que foi eternizada na poesia de Tom e Vinícius. A cena do menino com o gato esquecido num corredor é um primor.








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