Curta o frio, o Planeta e a humanidade agradecem
- Pablo Pereira
- 24 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Amanhã, quarta-feira, 25 de junho, deve fazer um frio de lascar em São Paulo, segundo a meteorologia. Essas baixas temperaturas, se se confirmarem, vão forçar muita gente a ficar por casa, no aconchego, sob a proteção de casacos, cobertores e aquecedores. O calor dos gregos produziu gênios contestadores e os 40 graus dos trópicos deram gigantes da literatura, como Euclides da Cunha, que saiu do seu calorento Rio de Janeiro para viver a Revolta dos Canudos no sertão da Bahia e, depois, embrenhar-se na amazônia, quente e úmida, numa aventura que rendeu pérolas literárias sobre caucheiros e terminou por fazer um estado, o Acre. García Márquez, Jorge e Zélia, João Cabral, Graciliano, Patativa, todos monstros da criatividade em terras iluminadas por sol a pino, de caatinga e vidas secas.
Mas o povo do inverno, admita, deixou marcas profundas e belas no conhecimento humano. Russos de introvertida genialidade, vários deles, além de ingleses, franceses, holandeses, enfim, literatos, filósofos e cientistas, aproveitaram-se do frio para pensar na vida e suas intermitências. Foi no frio alemão que Descartes se escondeu em casa e formulou seu Discurso do Método. Nos gelados Países Baixos, que o luso-holandês Baruch (Bento) Espinoza botou grilos na cabeça dos crentes, questionando divindades. São pensadores que deram sentido a cruéis dúvidas humanas e floresceram as neves do mundo do norte.
E mesmo na glacial América del Sur, Chile, Uruguai, Argentina e Paraguai, que deu Roa Bastos e seu Yo, El Supremo, só pra citar a literatura, sem falar da música, da arte de Vilaró e sua Casapueblo, à beira da “frescas” águas de Punta del Este. Nas geadas gaúchas, igualmente: Scliar, Seu Quintana, que conheci numa redação no inverno de 1977, Josué Guimarães, e Érico Verissimo com o vento dos pampas a chicotear palas e ponchos. Se formos para a América do Norte, então, o gelo conserva chusmas de criadores.
Não é só o uísque e a cervejinha que precisam de geladeira; nem só ursos e pinguins a depender das ameaçadas calotas polares… Lembre-se: isso aqui, inclusive São Paulo, já foi forninho só de dinossauros!
De formas que, amanhã, em vez de amuar-se, aproveite!








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